quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O que são os mercados?


Segundo o dicionário Piberam da língua portuguesa (http://www.priberam.pt/DLPO/), o mercado é:

"mercado (latim mercatus, -us, comércio, tráfico, negócio)
s. m.
1. Lugar público coberto ou ao ar livre onde se compram mercadorias postas à venda; reunião de comerciantes no mesmo local, para vender.
2. Cidade onde se faz o comércio de certos objectos!objetos.
3. Saída económica.
4. Convenção de compra e venda.
5. Qualquer arranjo entre as pessoas, contrato.
6. Estado da oferta e da procura."


Bom, agora que sabemos do que estamos a falar irei-vos apresentar um comentário eleito pelo Paul Krugman sobre uma descrição que pode estar mais perto da realidade do que se pensa. Esta descrição dirige-se sobretudo aos intermediários porém estes são agentes imprescindíveis na actual negociação da dívida pública soberana.


Podem ver o comentário referido aqui.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Relatório Stiglitz

se alguém ainda cá vier, espero que isto seja útil: o Relatório Stiglitz

sábado, 10 de julho de 2010

The show must go on

Minhas caras meninas,

meus caros meninos,

desejo-vos boas teses

e muitas felicidades !

encontramo-nos por aí.

domingo, 6 de junho de 2010

Globalização em acção...

Divulgo um pedido de uma professora portuguesa em Timor-Leste, extraído do blog do Rui Tavares, para quem estiver interessado e puder contribuir:


TIMOR – pedido de professora
Caros amigos,
Alguns sabem e outros nem por isso (e assim aqui vai a notícia) mas estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de Timor Leste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto. Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte… não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é mto bom.O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pressão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.
COMO MANDAR? Basta dirigirem-se aos correios (CTT) e mandarem uma encomenda tarifa económica para Timor (insistam porque nem todos os funcionários conhecem este tarifário!) e mandam a coisa por 2,49 €. Claro que a encomenda não pode exceder os 2 quilos para poder ser enviada por este preço.
Devem enviar as encomendas em meu nome (*Joana Alves dos Santos*) para:
*Embaixada de Portugal em Díli
Av. Presidente Nicolau Lobato
Edifício ACAIT
Díli – Timor Leste*
E O QUE MANDAR? Mandem por favor livros de ficção, romances, novela, ensaio, livros infantis etc, etc. Evitem gramáticas e manuais escolares. Dicionários, mesmo que um pouquinho desatualizados são bem vindos. Este critério é meu e explico porquê. Alguns timorenses (estudantes e não só) são um bocado fixados em aprender gramática mas ainda não têm os skills básicos de comunicação. Parece-me melhor ideia que possam ler outras coisas, deixar-se apaixonar um bocadinho pelas histórias mesmo que não entendam as palavras todas, do que andarem feitos tolinhos a marrar manuais e gramáticas. O caso dos dicionários é outro. Um aluno, por exemplo, usa um dicionário português-inglês para tentar adivinhar o significado das palavras. Como o inglês dele tb não é grande charuto imaginam como é a coisa.
Bom, espero ter vendido bem o peixe do povo timorense. Falam pouco e mal mas na sua grande maioria manifesta simpatia pela língua portuguesa. De qualquer forma isto não vai lá (muito sinceramente) com umas largas dezenas de professores portugueses por cá. É preciso ter a língua a circular em vários meios e suportes. Espero que respondam ao meu apelo!! Eu por cá andarei sempre com um livrito na carteira para alguém que peça!
*SE NÃO MANDAREM PELO MENOS DIVULGUEM*

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Portugal: Cortes salariais de 20 ou 30%

o pessoal viu esta do Krugman?

May 17, 2010, 9:42 am
Et Tu, Wolfgang?
Perhaps the most startling and frustrating thing about the debate over the fate of the euro is the way almost everyone avoids confronting the core issue — the elephant in the euro. With a unified currency, adjustment to differential shocks requires adjustments in relative wages — and because the nations of the European periphery have gone from boom to bust, their adjustment must be downward. At this point, wages in Greece/Spain/Portugal/Latvia/Estonia etc. need to fall something like 20-30 percent relative to wages in Germany. Let me repeat that:

WAGES IN THE PERIPHERY NEED TO FALL 20-30 PERCENT RELATIVE TO GERMANY.

But nobody is willing to say that outright. Even the ever-pessimistic (and hence realistic) Wolfgang Munchau writes

None of the governance reform proposals that are currently discussed even attempt to answer the questions of how Spain is going to get out of this hole, and how the competitiveness gap between the north and the south of the eurozone is going to be closed … What the eurozone needs is an increase in domestic consumption in the north, particularly in Germany, and labour and product market reforms in the south, most importantly in Spain.

How many readers will get that what he’s really saying is that

WAGES IN THE PERIPHERY NEED TO FALL 20-30 PERCENT RELATIVE TO GERMANY.

How hard will it be to achieve this? Look at Latvia, which has pursued incredibly draconian austerity. Unemployment has risen from 6 percent before the crisis to 22.3 percent now — and wages are, indeed, falling. But even in Latvia labor costs have fallen only 5.4 percent from their peak; so it will take years of suffering to restore competitiveness.

The official answer is that this just shows the need for more flexible labor markets. But this was a subject we all batted back and forth in the initial debate about the euro, circa 1990: nobody has labor markets that flexible. If the euro isn’t workable without highly flexible nominal wages, well, it isn’t workable.

Anyway, this is my morning euro rant.


aqui.

domingo, 9 de maio de 2010

Coisas importantes







isto é Globalização:

Pai emocionou técnico; festa em França, Cabo Verde e EUA.

Cinco anos depois o Benfica fez a festa do título e Jorge Jesus, o treinador, a quem muitos creditam grande parte do êxito, chorou como uma criança na sala de imprensa quando lhe fizeram uma alusão ao pai. "Há muitos benfiquistas a festejar, mas há também um sportinguista, que torce por si, que deve estar contente", questionaram. Jesus não respondeu. Não conseguiu. As lágrimas não deixaram.

Ainda antes de se ter emocionado, Jesus fez uma análise ao campeonato e traçou o futuro. "Nunca duvidei que iria ser campeão, antes de começar já acreditava que ia ser, depois de o campeonato começar e agora no final não tive dúvidas nenhumas, porque o Benfica era melhor. Para o ano, quero ser campeão nacional, mas se puder ser campeão europeu nem vou hesitar", garantiu.

Quando Jesus estava na sala de imprensa, os jogadores do Benfica festejavam. Pintavam o cabelo de encarnado e regavam a festa com champanhe no balneário. Mis- são cumprida. Por todo o País a vitória do Benfica, que vinha sendo adiada nas últimas duas semanas, saiu à rua e o País, de norte a sul e ilhas, pintou-se de vermelho. Apenas em Braga e no Porto, talvez por motivos mais ou menos óbvios registaram-se incidentes.

Pelas 22.16 o autocarro do Benfica, o mesmo que circulou há alguns dias na Internet pintado com a faixa de campeão, saiu da garagem da Luz rumo ao Marquês, onde cerca de 200 mil adeptos aguardavam a caravana encarnada.

As celebrações também se registaram no estrangeiro. Nos EUA, centenas de luso-americanos convergiram para a emblemática Portugal Avenue, em Newark, paralisando o centro. Em Paris, centenas de adeptos passaram pelos Campos Elíseos subindo até ao Arco do Triunfo, onde se concentraram. Nas ilhas de Cabo Verde, em Luanda e em Maputo as principais ruas foram literalmente invadidas
no DN

Título celebrado em Macau às três da madrugada

quinta-feira, 6 de maio de 2010

RELATÓRIO LABORAL

Caros colegas.,




Venho por este meio, ao abrigo do meu THINK TANK LUSITANIUM EXCELSIUS apresentar-vos um RELATÓRIO LABORAL que não é mais do que um cenário prospectivo ao FUTURO QUADRO LABORAL EUROPEU: 2010 - 2020.

Reafirmo que quem quiser fazer parte deste projecto é SUPER BEM-VINDO.



O relatório pode ser encontrado AQUI



Grato pela vossa atenção,



Paulo Daniel Ferreira

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Espanha elimina 29 empresas Públicas e 32 altos cargos para poupar

O governo espanhol anunciou hoje um plano sem precedentes que envolve a eliminação de 29 empresas públicas e o corte de 32 altos cargos de responsáveis de vários ministérios como medida para diminuir o gasto público.
As medidas foram aprovadas na reunião de hoje do Conselho de Ministros e detalhadas aos jornalistas pela ministra da Economia, Elena Salgado.
O plano de racionalização do sector público corta praticamente um terço das 106 empresas públicas actuais, sendo que para concretizar o projecto serão eliminadas 15 sociedades mercantis e a maioria das fundações e haverá ainda um processo de fusão que afecta 24 empresas.
Entre os cargos que desaparecem contam-se oito directores gerais, um secretário-geral e 14 organismos autónomos com níveis de director geral.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Who you are ?

Dear friends. This is my new "Heteronimo ". I´m given you the opportunity do you find who is this special man?

BIG HAVE

I used to be crustacean
In a underwater nation
And i surf in celebatrion
Of a billion adaptations.

GOT ME A BIG WAVE, RIDE ME A BIG WAVE, GOT ME A BIG WAVENegrito


I feel the need, planted in me, millions of years ago, can you see the oceans size ? (Meus caros, isto é geografia económica, já cheira a tese!)

Defining time, and time, arising, arms laid upon me, being so kind, to let me ride.

I scream in affirmation of connecting deslocations, and exceeding limitattions, by achieving levitation.

GOT ME A BIG WAVE, RIDE ME A BIG WAVE, GOT ME A BIG WAVE.

GOT ME A RIDE
I GOT ME A RIDE.

Oh God, he did it.........


segunda-feira, 26 de abril de 2010

A lula-vampiro...


Trago-vos um link para uma excelente crónica do Rui Tavares sobre a "lula-vampiro" na economia...


domingo, 25 de abril de 2010

Vasco Lourenço: «Portugal precisa de um novo 25 de Abril»


Capitão de Abril com duras críticas à corrupção e à Justiça

O presidente da associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, defendeu, no sábado, num jantar comemorativo da revolução, em Almada, que Portugal «precisa de um novo 25 de Abril pela justiça social».

O capitão de Abril afirmou que «é necessário que em Portugal se acabe com o esquema terrível de compadrio, com a impunidade perante situações de corrupção e com o mau funcionamento da Justiça».

«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril», vincou, em declarações à Lusa.

Para Vasco Lourenço, «comemorar a Revolução é invocar, acima de tudo, a grande esperança que os portugueses tiveram naquela altura por um país melhor, mais desenvolvido, mais igualitário, mais justo, mais livre, e reafirmar teimosamente a nossa vontade em lutar por esses ideais, por mais difícil que isso possa parecer».

«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?», disse perante uma sala com mais de 700 pessoas.

O militar esclareceu, contudo, que não se refere a uma «ruptura violenta», antes a um «apelo à pressão sobre os responsáveis políticos para que estas situações se alterem». «É necessário que os eleitos não se esqueçam dos eleitores», defendeu.

A luta, disse, tem que travar-se também nos programas curriculares da história que contamos às gerações que nasceram já depois da liberdade: «Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»
(Lusa, via IOL)

ps - repetindo o Corto Maltese: onde pára o professor Sandro Mendonça?!

O que eu gosto da globalização!!



O primeiro dia do resto das nossas vidas !


Para a maioria de vós, nascidos após 1974, talvez este dia seja apenas mais um dado estatístico histórico de economia Portuguesa, um facto político, um acaso histórico, um azar do feriado até calhar ao domingo este ano, e a RTP1 estar a transmitir esta seca.
.
Pois eu, era uma criança com 5 anos de idade que frequentava o 1ºAno da escola primária em Colares, e enquanto esperava que a carrinha da escola me apanhasse à porta de casa dos meus pais, com o meu cesto de almoço, fardado a rigor tipico dos anos 70, com calções de xadrez, casaco azul escuro e boné a rigor, estava muito distante de perceber o que estava a acontecer no largo do Carmo.
Independentemente da conexão política que possa estar associada a este dia, foi de facto um dia em que os Portugueses conquistaram a sua liberdade de expressão, o direito de escrerer e dizerem em blogues o que pensam, sem mortes, "apenas" com um cravo no cano de um chaimite.
Tanto eu como o Paulo Borges, os últimos dos líricos deste povo de além mar, gostariamos de vos deixar este excepcional e intemporal poema, de um grande senhor e homem de coragem, que é sempre um orgulho recordar a sua obra, especialmente neste dia.
Canto Moço - Zeca Afonso
"Somos filhos da madrugada,
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos trago
Verde Oliva de flôr do ramo.
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágua
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara.
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Viva a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Viva a proa da minha barca.
Votos de que a primeira geração do MEPII, seja digna do nosso legado histórico, e um marco de continuidade do desenvolvimento económico e sustentável de Portugal, sem nunca exitar em ter o direito à diferença, liberdade de expressão e direito ao pensamento.
Só para terminar. where are Prof. Sandro Mendonça?

Globalização - pormenores importantes...

Quando se pensa em globalização pensa-se em abertura de mercados. Depreende-se que a abertura de mercados a concorrência externa irá tornar esses mercados mais eficientes conferindo aos consumidores preços mais baixos e às empresas mais capital disponível o que aumentará o bem-estar social. Isto é a teoria, no entanto, na prática, como refere a obra Making Globalization Work de Joseph Stiglitz, não é bem isso que acontece. Verificou-se em diversos países entre os quais Índia, México e Argentina que a abertura do sector bancário ao exterior levou a que grandes bancos internacionais entrassem no mercado e concorressem directamente com os pequenos. Muitas vezes, os grandes compravam os pequenos. Até aqui tudo bem... No entanto, o pormenor é que os grandes bancos internacionais preferiam conceder empréstimos a multinacionais como a IBM, Coca-Cola e Microsoft do que às pequenas e médias empresas domésticas. Portanto, seguidamente à abertura dos mercados financeiros ao exterior existia um enfraquecimento das pequenas e médias empresas locais que teriam muitas dificuldades em conseguir crédito para se financiarem e concorrerem com as multinacionais.

O funcionamento da banca internacional, neste contexto, pode ser explicado através da informação assimétrica (conceito que deu o prémio Nobel a Stiglitz), já que a grande banca internacional não conhece as empresas “estrangeiras” (domésticas de cada país) e está habituada a negociar com as multinacionais; ou, seguindo a abordagem maquiavélica, poderia servir de posto avançado ou de primeira vaga para a posterior “invasão” em larga escala das restantes empresas multinacionais.

Concluindo, esta Globalização revela-se cada vez mais como a ditadura dos mais fortes...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Corrupção: "Não vale a pena combatê-la"

Sentença é "sinal de que não vale a pena combater corrupção" - Ricardo Sá Fernandes


(...)
Segundo os juízes da Relação, "os atos que o arguido (Névoa) queria que o assistente (vereador José Sá Fernandes) praticasse, oferecendo 200 mil euros, não integravam a esfera de competências legais nem poderes de facto do cargo do assistente".

Assim, a decisão da Relação indica que "não se preenche a factualidade típica do crime de corrupção ativa de titular de cargo político", disse aos jornalistas o presidente do Tribunal da Relação, Vaz das Neves.

(...)

Portanto, se bem percebo a coisa, o corruptor 'safou-se' por ser estúpido, não por não ter procurado corromper.

Pronto, assim sendo, por aqui me fico.

encontramo-nos no Marquês de Pombal, dentro de 15 dias, com o leão a testemunhar o voo da águia antes de picar o miolo do dragão.

sábado, 17 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Programa Inovexport

Trata-se de um Programa promovido, gerido e executado pela AICEP, EPE, em articulação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Este Programa de Estímulo ao Emprego de Especialistas em Comércio Internacional nas Pequenas e Médias Empresas Nacionais Exportadoras ou potencialmente exportadoras, tem como principais objectivos:

Promover as exportações das empresas portuguesas e a sua competitividade nos mercados Externos;

Fortalecer a capacitação e o conhecimento das empresas portuguesas em matéria de internacionalização, através do apoio à integração no quadros das empresas de jovens com conhecimentos e / ou experiência em matéria de Comércio Internacional;

Promover a integração de jovens com competências adquiridas em comércio internacional ou experiência profissional neste domínio, no tecido empresarial nacional, agilizando a sua integração no mercado do trabalho.

E materializa-se num estágio de cerca de nove meses de jovens especialistas em comércio internacional junto das empresas que se candidatarem a este Programa e que são as PME exportadoras ou potencialmente exportadoras com produto e/ou serviço de origem nacional;

Mais informações estão disponíveis no site
www.inovexport.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Economia do Mar em Portugal com potencial para valer 1/3 do PIB em duas décadas

Plataforma Continental apresentada hoje. A Economia do mar pode valer mais de 1/3 do PIB em duas décadas
Extensão de plataforma continental é apresentada hoje na ONU e prevê prolongamento da costa para as 350 milhas.
Portugal pode ter nas próximas duas décadas mais de 1/3 do valor da riqueza produzida (PIB) proveniente de actividades económicas relacionadas com o mar. É a conclusão retirada por José Poças Esteves, o sócio-gerente responsável pela estratégia e competitividade da SAER, e co-autor de um estudo realizado em 2008 a pedido das 20 maiores empresas portuguesas e coordenado pela Associação Comercial de Lisboa.

Esta nova noção das dimensões económicas do país surge no contexto da apresentação, hoje, pelo responsável da Estrutura de Missão para a Extensão de Plataforma Continental (EMEPC) nas Nações Unidas, em Nova Iorque, dos fundamentos jurídicos, científicos e técnicos da candidatura nacional à extensão da plataforma continental (das 200 milhas, correspondente aos limites da actual Zona Económica Exclusiva, ZEE, para as 350 milhas ou até 100 milhas para além da batimétrica dos 2500 metros).

"Não lhe chamaria uma nova utopia. Mas esta questão do mar pode tornar-se o grande desígnio nacional nas próximas décadas. Pode mudar completamente o paradigma e representar mesmo mais de 1/3 do valor do PIE nacional", diz Poças Esteves ao Diário Económico. Para o sócio do ex-ministro das Finanças, Ernâni Lopes, "isto significa deixarmos de estar no canto da Europa e podemos passar a ser considerados um país central em termos de comunicações marítimas e não só", acrescentou Poças Esteves. Mas há mais: Portugal, segundo o mesmo responsável, pode ainda tornar-se no "5º país da Europa em termos de dimensão territorial e no 15º do mundo, incluídas as economias emergentes como as da China, Índia, Brasil, etc.", disse Poças Esteves.

De facto, com a nova economia do mar cria-se um paradigma diferente e contrário ao actual modelo de desenvolvimento em que Portugal "não consegue afirmar-se em termos internacionais, porque não tem uma voz", releva este responsável pelo estudo que já em 2008 determinava que "facilmente a dimensão económica poderia atingir os 11% do PIB em termos de valor económico potencial, excluindo o turismo". Esse trabalho incluía apenas o turismo náutico.

Ainda segundo Esteves Poças, "o impacto económico é o mais importante de todos", E explica a razão: "Porque temos 23 vezes mais território marítimo do que terrestre". Em seis meses Poças Esteves acredita "totalmente" que a ONU poderá dar resposta positiva ao projecto de expansão marítima hoje apresentado por Portugal. E explica: "Porque está muito bem elaborado e tem um levantamento geológico do fundo do mar muito exaustivo e muito bem feito. Aquilo que nós avaliámos no outro estudo foi o aproveitamento económico potencial para o futuro".

Este responsável defende ainda que é perfeitamente viável para Portugal controlar a nova costa redimensionada. "Temos todas as condições para o fazer e para controlar em termos de segurança e de exploração de recursos", afirma. "E creio que a resposta da ONU será positiva, porque as 150 milhas que Portugal quer crescer são actualmente território de ninguém. Por isso, julgo que não há nenhum perigo de a resposta ser negativa".

"Por outro lado, não é possível desligar esta da questão dos novos submarinos que Portugal se prepara para comprar, porque julgo poderem ser um meio privilegiado de controlo e de capacidade tecnológica de exploração de recursos e de investigação a vários níveis", acrescente Poças Esteves.

Além disso, Portugal tem capacidade de exploração e de investigação para toda esta grandeza em termos de milhas marítimas., porque tem por exemplo investigação náutica em Aveiro, nos Açores e um centro de robótica submarina do Instituto Superior Técnico que te agora instalações em Cascais.


Há petróleo a três mil metros

"É muito provável que exista petróleo explorável nestes mares, porque há manchas de crude a 3 mil metros de profundidade e hoje é possível explorar petróleo a sete mil metros de profundidade", diz Poças Esteves, sócio-gerente responsável pela estratégia e competitividade da SAER . "No futuro, e deste ponto de vista, poderemos vir a ser controlados pelos brasileiro e por outras potências que se dedicam à exploração de petróleo. Os brasileiros, designadamente, porque controlam e têm adquirida toda a tecnologia de exploração existente no mundo", disse.


Como Portugal pretende crescer mais 150 milhas

Fundamentos da plataforma continental hoje apresentados.

Os recursos descobertos e por descobrir na nova plataforma continental - ou parcela territorial marítima - que Portugal pretende ver aumentada das 200 para as 350 milhas podem tornar-se "a alavanca para um grande desenvolvimento nacional", disse Manuel Pinto Abreu ontem à agência Lusa.

O responsável da Estrutura de Missão para a Extensão de Plataforma Continental (EMEPC) apresenta hoje nas Nações Unidas, em Nova Iorque, os fundamentos jurídicos, científicos e técnicos da candidatura nacional à extensão da plataforma continental (das 200 milhas, correspondente aos limites da actual Zona Económica Exclusiva, ZEE, para as 350 milhas ou até 100 milhas para além da batimétrica dos 2500 metros). E garante: "Ainda está por descobrir o primeiro metro quadrado no fundo do oceano sem interesse". Após a submissão dos fundamentos técnicos à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) das Nações Unidas, actualmente presidida pelo brasileiro Alexandre Tagore Albuquerque, a proposta portuguesa será objecto de uma "avaliação técnica e de profundidade" por uma subcomissão emanada da CPLC.

Além disso, o subsolo marinho que poderá ser acrescentado à jurisdição portuguesa em resultado da extensão da plataforma continental nacional apresenta "vários e extensos" depósitos passíveis de conter hidrocarbonetos como petróleo e gás natural.

Manuel Pinto de Abreu salientou, contudo, que a probabilidade de existir petróleo ou gás natural "carece de ser confirmada". "O projecto de extensão da plataforma continental não é orientado à prospecção de recursos naturais. Terá que ser feito um trabalho de intensidade e dedicado para a prospecção de recursos naturais, o que o próprio projecto de extensão da plataforma está de alguma forma a fazer. Só depois dessa prospecção podemos avaliar a probabilidade da existência desses recursos", enfatizou.

O responsável da EMEPC calculou que sejam necessários pelo menos três anos para validação de "indícios seguros" sobre a existência de hidrocarbonetos e cerca de 10 anos para desenvolver a sua exploração.

Paralelamente aos hidrocarbonetos, a plataforma continental estendida apresenta diversos metais e "um sem número de minerais e de recursos vivos com diferentes utilizações industriais" - o recurso com "maior potencial", em sua opinião.

O que existe e as condições de exploração
Aludindo à descoberta recente de uma "boa bacia de retenção" ao largo dos Açores pela missão de exploração do leito e subsolo marinho (baptizada "fried egg" pela sua forma característica), Manuel Pinto de Abreu admitiu existirem "vários e extensos" depósitos similares na plataforma continental estendida que poderá ser reconhecida a Portugal. E acrescentou: "Sabemos que há hidrocarbonetos, eles existem, é preciso ver de que tipo existe e quais as condições de exploração". "O que temos detectado é que existem bons indícios de que possam haver diferentes tipos de hidrocarbonetos. Essas áreas são bastante generalizadas na totalidade do espaço da plataforma continental estendida", afirmou, especificando que esses recursos estão disseminados pelas três áreas (continente e regiões autónomas da Madeira e Açores). "O grande interesse está ao nível dos chamados recursos genéticos, as pequenas moléculas e micro organismos na maior parte constituem uma novidade para a ciência", comentou.
2010-04-13 09:31
Miguel Costa Nunes, Diário Económico